domingo, 24 de janeiro de 2016

A décima primeira candidata



Nestas Presidenciais, votem na 11.ª candidata. Cumpre todos os requisitos: amiga dos animais e das plantas, tem mandatária para a juventude que é do melhor e gosta de comer e beber. É a Maria Política.

Voz do povo (aqui representado por João Eduardo Ferreira): Eu repito! Voto em ti! Tens perfil, mandatária para a juventude e comes bolo-rei, travesseiros de Sintra, pastéis de feijão Torres Vedras, fofos de Belas, bonbons da Arcádia, Dom Rodrigos, Chanfana de Coimbra, Pão de Rala, Bolo do Caco, sarapatel da Portagem. Tudo isso em pleno espírito democrático. Vai uma trouxa das Caldas?


Maria Política a Presidente  (clique para ver o vídeo através do Youtube)







FC/Janeiro2016

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O teu sorriso

















É mais que certo
que o teu sorriso contém para lá de 29 músculos.
Compreende o corpo inteiro.
A alma também.

Forte, determinado, afirmativo.
É guardião das pessoas que te abraçam, em memória
e exigente acolhedor de possibilidades futuras.
Um traço de carácter.

Como as tuas mãos o serão,
quando percorrerem músculos e tendões,
em busca do azimute certo.
Da ars medicina.

É mais que certo
que tal arte se reflectirá no teu sorriso,
confirmando a paixão.
Condição necessária e obrigatória em qualquer profissão.



Escrito para a Marta Pina Fernandes, quando completou o curso de Fisioterapia. 
FC/Junho de 2015

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

José Miguel















A música de David Bowie acompanha-me hoje, num dia muito difícil para a minha família. Oiço a sua música e pergunto-me, haverá vida em Marte (Morte)? Julgo que sim. Uma vida que se acrescenta à nossa memória, que dói também, na nossa saudade, que nos deixa perdidos os cinco sentidos, também o sexto. Mas, a acreditar na Lei Fundamental dos Afectos, que inventei agora, por necessidade imediata, nada se perde, tudo se transforma. Assim, uma vida perdida é uma vida que se ganha, de outra maneira. Uma espécie de renascimento. E sempre que nascemos, choramos. Por isso choramos tanto.
Marte recebe hoje David Bowie e José Miguel. Há vida em Morte, sim. Tem de haver. A vida partilhada não morre. Fica. Empurra-nos para a frente, na direcção de mais Vida. Ganhei hoje um pedaço dessa estranha forma de vida. Tem nome próprio, José Miguel. Obrigada, tio. Ser-lhe-ei sempre grata.

FC/11janeiro2016


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Amélia



















Conheci-te mãe
sem tempo nem hora,
sem limite nem desforra.

conheci-te mulher
atrevida na contra-mão,
com o mundo no coração.

conheci-te esposa
inteligente na paixão,
indiscreta na determinação.

As tuas rugas,
mãe-mulher-esposa,
são a minha lição.

FC/19novembro2015


terça-feira, 17 de novembro de 2015

«Em terras do islão»






















O Médio Oriente deve ser olhado pela perspectiva dos seus vários actores político-religiosos, refiro-me aos seus povos, e não apenas, como parece ser a tendência simplista, uma consequência directa ou indirecta das políticas ocidentais e orientais. Talvez estas tenham sido inteligentemente instrumentalizadas para servir os interesses jihadistas. Olhar a sua História ajudar-nos-á a encontrar a resposta mais adequada.

Nabil Mouline escreve um bom artigo sobre as raízes do jihadismo e o seu objectivo maior: a tomada do poder para além fronteiras. Para este autor, "tudo leva a pensar ... que o tradicionalismo religioso continuará a expandir-se, tanto mais quanto as sociedades civis são balbuciantes e o campo intelectual, em particular o modernista, está em ruínas" (para ler o artigo clicar na hiperligação abaixo).

Para Nabil Mouline, o fracasso ou mesmo a inexistência de um projecto de construção nacional permitiu aos grupos extremistas no Médio Oriente a utilização da religião, um refúgio por excelência e, por isso mesmo a ferramenta ideal, para a escalada de terror e reconquista islâmica (falamos da fracção mais radical) de território. Um Estado terrorista com ambições a Império. Auto-proclamado e determinado, ISIS utiliza a mentalidade árabe e a mitologia dos antigos impérios (segundo o autor do pequeno filme #WHYSYRIA [clicar na hiperligação abaixo]).  

A Europa e os USA, o mundo ocidental, estão na mira da grande expansão do wahabismo, a interpretação mais conservadora e exclusivista do islão, a única que se considera verdadeira, obrigada a impor-se a todas as outras.

Tomando o sentido do texto de Nabil Mouline, a NOSSA resposta a este ataque deverá passar pelo reforço da NOSSA própria sociedade civil (incluindo todos os estrangeiros que nela queiram participar e sobretudo todos os jovens nascidos em solo europeu, porque essa é a nossa realidade) e o reforço do NOSSO campo intelectual. Duas coisas que ficam no esquecimento quando entramos em cenário de guerra, mas que estiveram no esquecimento desde sempre.

Esta foi a fragilidade dos países desenhados a lápis por mão ocidental, no Médio Oriente.Esta será a nossa fragilidade se insistirmos na vacuidade intelectual, cultural, social e política dos diferentes povos da Europa.

FC/novembro2015










Nas raízes do Jihadismo. Escaladas tradicionalistas em terras do islão, por Nabil Mouline.
(Le Monde Diplomatique, 16 de Novembro de 2015)


e ainda:













#WHYSYRIA: La crisis de Siria bien contada en 10 minutos y 15 mapas.













quarta-feira, 11 de novembro de 2015

O mundo pula e avança













Na política, a singularidade das decisões é uma consequência da pluralidade. Para crises políticas diferentes, e são sempre diferentes entre si, deve haver respostas diferentes. A queda do XX Governo Constitucional é um bom exemplo.

Não há regras gerais, no campo da política, aliás, a política é a possibilidade do novo, do imprevisto e do espontâneo, num contexto de pluralidade (diferentes entre iguais), onde se jogam, pelas palavras e pelo discurso, os assuntos humanos. A única regra geral é não haver regra geral, ou seja, a liberdade é o pressuposto fundamental da actividade política. Referimo-nos, naturalmente, à acção política propriamente dita, às palavras e ao discurso, ou seja, aos conteúdos. Uma liberdade garantida pelas instituições e pelas leis, tal como os muros da polis garantiam a liberdade na polis, tal como a Constituição garante a democracia portuguesa. Quem não percebe isto, nasce politicamente morto.

O XX Governo Constitucional foi formado por Passos Coelho, o cabeça de lista do partido (coligação, vá) mais votado, a convite do presidente da República, cumprindo-se a Constituição e a tradição. Prometida estaria a continuidade da crise política (porque apolítica) e da asfixia social, uma vez que tal governo pouco difere do seu antecessor. Mais quatro anos de neo-liberalismo em estado puro, protagonizados por Passos Coelho (muito longe da social-democracia que deveria representar), e pelo seu eco, Paulo Portas (esse sim, um homem da direita radical apesar do populismo). Uma parelha que chumbou em todos os objectivos a que se propôs, chumbo confirmado pelos indicadores nacionais, dos quais se sublinha o da dívida pública, o objectivo mais cego do governo XIX.

Dá-se o caso de haver quatro partidos que, não obstante as suas diferenças, são coincidentes na vontade de interromper o ciclo de destruição do tecido social e político português. Quatro partidos que, somados, são maioria em Assembleia da República. Esta é a circunstância motriz do momento actual, à qual a maturidade política da esquerda não foi indiferente. Em boa hora.

O XX Governo foi rejeitado pela Assembleia da República, que é, para efeitos de memória presente, «…  um dos órgãos de soberania consagrados na Constituição, além do Presidente da República, do Governo e dos Tribunais, é, nos termos da lei fundamental, “a assembleia representativa de todos os cidadãos portugueses”». Assim está escrito no portal da AR.   

A união à esquerda é um acto livre, legítimo e democrático, uma resposta diferente para uma circunstância diferente. Não há ofensa à democracia, há sim novidade. Uma novidade para nós, portugueses, mas uma prática comum nas democracias mais maduras como são, por exemplo, a da Dinamarca e da Noruega. Sinal de amadurecimento da política portuguesa? Assim o espero.  

União à esquerda. Uma acção concreta e definida, como outra coisa qualquer, apenas… à esquerda. Uma esquerda equilibrada pela diferença dos quatro partidos e, por isso, sem perigo de extremismos.

Quanto a nós, cidadãos deste país, crianças, jovens, adultos e velhos, voltamos a ser o principal tema das negociações. Que assim seja.   


FC/11Nov2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015


















O estranhamento comanda a escrita literária - eis uma das grandes lições que Mário de Carvalho, descrente assumido de pragmáticas e dogmáticas, nos oferece em Quem disser o contrário é porque tem razão. 

O livro parece ser escrito para jovens escritores, mas não é. Sem dizer o contrário, mas ainda assim julgo ter razão, também um não-escritor deve aventurar-se pelo inexplorado, procurar os invisíveis nos visíveis, espantar-se com as pequenas coisas, seguir os conselhos de Mário de Carvalho. Bem sei que não terá literariedade suficiente para transformar esse decalque em obra (coisa para artistas), mas descobrirá a beleza das perplexidades, a cumplicidade das palavras, a boa consciência. 

Viver com arte está ao alcance de todos. Espante-se, assombre-se, pasme-se, desfaça ou descongele o que a linguagem, através dos conceitos, afirmações, definições ou doutrinas, congelou. E não se esqueça o não-escritor: o estranhamento comanda a vida. 

Não se cruzam a realidade e a ficção? Então? A Marquesa saiu às cinco horas, nós sairemos às quatro e um quarto.

fc/26fev2015