segunda-feira, 21 de março de 2022

Infinito inconsciente







 






A paixão é um arrebatamento quântico,
um arrojo do protão,
despudorada colisão,
iniciação.

O amor?
É o aconchego na insubstância do tempo, 
o toque,
o silêncio,
e a liberdade.

 

FC/21março2022 


quarta-feira, 16 de março de 2022

A Política em Hannah Arendt - O Ambiente, lugar por excelência do fenómeno político

 



Resumo

“O que estamos a fazer?” – questão que se coloca após tomarmos consciência que vivemos em colisão com o sistema ecológico do planeta. A mesma questão impôs-se a Hannah Arendt quando, na vivência dos tempos sombrios do século XX, verificou que a humanidade vivia em conflito consigo própria. Arendt é uma pensadora do começo. Neste contexto, e porque a crise ambiental é uma questão pública e política que se impõe, com Arendt procurámos o sentido das duas categorias, visando resgatar uma nova cidadania consciente da sua pertença ao mundos natural e humano, a partir da qual encontre uma via de recuperação dos mesmos. Assim, tendo por base a análise arendtiana da tripla dimensão da vita activa, labor, trabalho e acção, interpretámos o pensamento de Arendt sob duas perspectivas: na vertente política, porque encerra em si a possibilidade do novo e convoca a participação de todos, e na vertente ambiental, enquanto contexto promotor da acção política. Ambas revelam uma pensadora pioneira na interpretação da sociedade de risco e comprovam que a asfixia do planeta não é indiferente à crise civilizacional. The Human Condition (1958) é o livro de referência, embora toda a obra concorra para a tese que propomos: o Ambiente como lugar, por excelência, do fenómeno político. O cinema, enquanto arte política, tem aqui espaço. Surge através da interpretação dos filmes Notre Musique de Godard (2004) e An Inconvenient Truth de Al Gore (2006), que confirmam a actualidade do pensamento arendtiano e consolidam a nossa reflexão. Embora em contextos diferentes, estes autores partilham com Arendt o apelo ao regresso ao mundo e à Terra através da acção pública e política. Apelo que reforçamos.


Para aceder à dissertação: https://repositorio.ul.pt/handle/10451/3499


Defesa oral:










Fernanda Cunha / Lisboa 2007















FUCK WAR (II)













Zweig conta-nos a história da Europa através de pequenos episódios pessoais, pouco tempo antes de se suicidar, em 1942, no Brasil onde se encontrava exilado. "O mundo de ontem" é a autópsia de uma Europa morta pela segunda guerra mundial que importa ler, para compreender a condição humana, conhecer a história e ter presente o compromisso assumido pela Europa que renasceu daquelas cinzas e que agoniza agora, às mãos de um homem velho que se move por instintos egoístas e cruéis, sedento de poder e inchado com uma ideologia e uma pseudo-moral que não são aceitáveis à luz da democracia e da racionalidade e sensibilidade humanas.

fc/25fevereiro2022


FUCK WAR!

 


 


                    

Olivier Rolin conta-nos a história do ucraniano Alexei Feodossevitch Vangengheim, meteorologista e director do Serviço Hidrometeorológico da URSS (1929), acusado de sabotagem e deportado para as Solovki em 1934, de onde enviou herbários e desenhos educativos à sua filha, até ser morto. Um tempo e uma violência que julgávamos pertencer ao passado, mas afinal não.



Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski, é uma história de suspense, envolvida por teorias políticas e sociais da época, que nos transporta para os anos 60 do século XIX, em São Petersburgo. Raskolnikov constrói uma tese sobre os homens vulgares (que vivem em obediência à lei e respondem perante a sua consciência com penitências) e os invulgares (transgressores da lei, que destroem o presente em nome de algo melhor). Para estes últimos, como Napoleão, se for necessário matar em nome de uma ideia, podem faze-lo em consciência. Raskolnikov não queria ser um homem comum, atado a códigos morais num país imoral e prepara um crime, "quem for capaz de desprezar mais, terá mais razão do que todos", assim o diz. Obcecado pela sua própria fórmula de cidadania académica, o Raskolnikov viu nas pequenas coisas estímulos para matar. Depois do crime, o jovem adoece, vítima de causas morais. Não teve fuga ao seu próprio pensamento, à sua consciência. Assassino e testemunha numa pessoa só, arrasta-se ao longo das mais de quatrocentas páginas numa solidão insuportável, até à redenção no final. Quanto aos homens invulgares, Raskolnikov concluiu:

"Não, esses homens não são assim feitos; o verdadeiro soberano, a quem tudo é permitido, arrasa Toulon, faz uma carnificina em Paris, esquece o exercito no Egipto, gasta meio milhão de homens em campanha de Moscovo e sai-se com um trocadilho em Vilna; e erguem-lhe monumentos depois da morte, e portanto, tudo é permitido. Não, esses homens, pelos vistos, não são de carne mas de bronze".


FC/fev2022

 













O tempo confinado fica líquido e bebe-se.

FC/21janeiro2021

sábado, 1 de maio de 2021

1º de Maio de 2021

 











- Viva o trabalho!

- Viva!

Está feito. Seguem felizes os doutores-formiguinha e os engenheiros-formiguinha para os seus quartos, que o fim-de-semana ainda agora começou e é tempo de tecer matéria para que não se diga que a montanha é estéril. Retomam a dinâmica patenteada pelos tempos covid (sem hora e a meio-corpo, a partir de casa), enquanto os trabalhadores-cigarra se recolhem ao canto habitual, com descontos de 50% e cada vez mais isolados. Como convém.  

Emails de estilo são postos a circular em carreirinha e convocam-se vídeo-chamadas whatsapp teams skype google que antecedem e preparam vídeo-chamadas zoom cisco webex go to meeting, onde se apresentam não-decisões, o pó-de-arroz perfeito para o teatro dos especialistas-de-última-hora. Se tudo falhar, não faz mal, o que importa é a espuma do frenesim, autenticada com louvores dos próprios aos próprios. 

Nesta vida desembestada não há tempo para tardança, razão pela qual a palavra Excelência se viu reduzida a metade: Excel. Aqui não há dores de crescimento, há certezas. Quem não alinhar no folclore da Corte, será proscrito.

Neste primeiro de Maio, para além do direito ao trabalho em condições dignas, clamo também pelo direito à competência e à realização profissional. A todos por igual.

- Viva o trabalho!

- Viva!


FC/Maio2021


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Perda





Não se perde uma verdade que nos pertence. 

Ainda que não esteja validada por uma segunda opinião. 

Não dizem que cada um tem a sua? Então?

A minha é esta. 

E mesmo que nada tenha sobrado do sentimento ausente, 

imaginarei um amor incapaz de magoar.

Prefiro assim. 


FC/Fevereiro/2021