um arrojo do protão,
despudorada colisão,
iniciação.
É o aconchego na insubstância do tempo,
o silêncio,
e a liberdade.
FC/21março2022
FC/21março2022
Resumo
“O que estamos a fazer?” – questão que se coloca após tomarmos consciência que vivemos em colisão com o sistema ecológico do planeta. A mesma questão impôs-se a Hannah Arendt quando, na vivência dos tempos sombrios do século XX, verificou que a humanidade vivia em conflito consigo própria. Arendt é uma pensadora do começo. Neste contexto, e porque a crise ambiental é uma questão pública e política que se impõe, com Arendt procurámos o sentido das duas categorias, visando resgatar uma nova cidadania consciente da sua pertença ao mundos natural e humano, a partir da qual encontre uma via de recuperação dos mesmos. Assim, tendo por base a análise arendtiana da tripla dimensão da vita activa, labor, trabalho e acção, interpretámos o pensamento de Arendt sob duas perspectivas: na vertente política, porque encerra em si a possibilidade do novo e convoca a participação de todos, e na vertente ambiental, enquanto contexto promotor da acção política. Ambas revelam uma pensadora pioneira na interpretação da sociedade de risco e comprovam que a asfixia do planeta não é indiferente à crise civilizacional. The Human Condition (1958) é o livro de referência, embora toda a obra concorra para a tese que propomos: o Ambiente como lugar, por excelência, do fenómeno político. O cinema, enquanto arte política, tem aqui espaço. Surge através da interpretação dos filmes Notre Musique de Godard (2004) e An Inconvenient Truth de Al Gore (2006), que confirmam a actualidade do pensamento arendtiano e consolidam a nossa reflexão. Embora em contextos diferentes, estes autores partilham com Arendt o apelo ao regresso ao mundo e à Terra através da acção pública e política. Apelo que reforçamos.
Zweig conta-nos a história da Europa através de pequenos episódios pessoais, pouco tempo antes de se suicidar, em 1942, no Brasil onde se encontrava exilado. "O mundo de ontem" é a autópsia de uma Europa morta pela segunda guerra mundial que importa ler, para compreender a condição humana, conhecer a história e ter presente o compromisso assumido pela Europa que renasceu daquelas cinzas e que agoniza agora, às mãos de um homem velho que se move por instintos egoístas e cruéis, sedento de poder e inchado com uma ideologia e uma pseudo-moral que não são aceitáveis à luz da democracia e da racionalidade e sensibilidade humanas.
fc/25fevereiro2022
Olivier Rolin conta-nos a história do ucraniano Alexei Feodossevitch Vangengheim, meteorologista e director do Serviço Hidrometeorológico da URSS (1929), acusado de sabotagem e deportado para as Solovki em 1934, de onde enviou herbários e desenhos educativos à sua filha, até ser morto. Um tempo e uma violência que julgávamos pertencer ao passado, mas afinal não.
- Viva o trabalho!
- Viva!
Está feito. Seguem felizes os doutores-formiguinha e os engenheiros-formiguinha para os seus quartos, que o fim-de-semana ainda agora começou e é tempo de tecer matéria para que não se diga que a montanha é estéril. Retomam a dinâmica patenteada pelos tempos covid (sem hora e a meio-corpo, a partir de casa), enquanto os trabalhadores-cigarra se recolhem ao canto habitual, com descontos de 50% e cada vez mais isolados. Como convém.
Emails de estilo são postos a circular em carreirinha e convocam-se vídeo-chamadas whatsapp teams skype google que antecedem e preparam vídeo-chamadas zoom cisco webex go to meeting, onde se apresentam não-decisões, o pó-de-arroz perfeito para o teatro dos especialistas-de-última-hora. Se tudo falhar, não faz mal, o que importa é a espuma do frenesim, autenticada com louvores dos próprios aos próprios.
Nesta vida desembestada não há tempo para tardança, razão
pela qual a palavra Excelência se viu reduzida a metade: Excel. Aqui não há dores de crescimento, há certezas. Quem não alinhar no folclore da Corte, será proscrito.
Neste primeiro de Maio, para além do direito ao trabalho em
condições dignas, clamo também pelo direito à competência e à realização
profissional. A todos por igual.
- Viva o trabalho!
- Viva!
FC/Maio2021